Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009
passa amanhã
nada pessoal, meninos, mas me mandei. tô me guardando pra quando o carnaval chegar.
cenas dos próximos capítulos: suspense e mistério com a chegada d'A pombagira, o minotauro que virou boizinho e como ganhar uma cor de verão em plena avenida suburbana. volto em fevereiro.
beijo nas crianças,
t.
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Ace Driver
Dá pra desafiar um amigo, mas ninguém quer. Quem quer competir comigo? Cartas pra redação!
Dagmar
Dagmar, minha tia-avó, só ia ao centro da cidade uma vez por mês, quando recebia no banco a aposentadoria. Passando aperto ou não, sempre reservava um pouquinho de dinheiro na carteira para o ladrão. O salário que tirava do banco ia no sutiã, pregado na bolsinha que ela costurava especialmente para a ocasião. Na carteira, escrevia em papel branco dobrado, em letra treinada por décadas de caligrafia: se fodeu, babaca.
O papel era renovado sempre que ficava gasto. Nunca vi alguém torcer tanto para ser assaltada.
Fim da Pausa II para o episódio Assalto
cadê noriel?
Pausa para o episódio assalto:
20h - Eu, na esquina de casa, vindo do supermercado, pronta para TV, miojo, sorvete, cama.
20:02 - O pó de pirlimpimpim é uma tecnologia que enfim chega a Niterói.
20:03 – E faz com que, em episódio experimental, uma moto, dois homens e quem sabe uma arma se materializem às 20h, na esquina de casa.
20:00 – Eu entregando o celular.
20:01 – Eu tentando convencer o moço da moto de que minha carteira de oncinha não faz o tipo dele.
20:01 – Moço da moto discorda.
20:01 – Eu tentando despertar a simpatia do moço da moto. Penso em flashes da infância. Da infância dele.
20:01 – A infância dele não ajuda. Pai Omolu manda recado, mas minha telepatia não pega no escuro.
20:01 – Peço pro moço não levar meus documentos.
20:01 – O moço diz: “a gente deixa suas coisas ali na treta”.
20:01 – Moço sai antes que eu possa me informar sobre o CEP da treta.
(Elipse)
21:10 – eu e carol na delegacia
21:30 – policial simpático-inteligente-e-articulado (há vida inteligente na polícia civil) me convence a não declarar a carteira de oncinha.
22:00 – telefone: flagrante de menina abusada na cidade vizinha. É menor, mãe não quer registrar. Faz o quê?
22:10 – meu policial entende de cinema
22:15 – e de história
22:20 – conhece todas as ONGs do Rio de Janeiro. Não é impressão, ele lista todas MESMO.
22:25 – tem olhos azuis
22:30 – me pergunta sobre política de incentivo ao curta-metragem
22:35 - sem nenhum dinheiro e atirada na sarjeta de um papo-cabeça numa sala mal mobiliada, tenho certeza de ter sido transportada de volta para a faculdade de cinema.
22:45 – me convenço de que isso é uma conjunção de alucinação e perseguição num plano maior.
22:45 - faço cara de quem não se interessa por planos maiores.
22:46 - o policial ideal se convence de que me recuso a ser interessante e me libera
Fim da pausa para o episódio assalto.
Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
considerações do limbo
*
E então eu entendo porque adoro descobrir um novo autor. Não é o charme indie nem a surpresa. É que todo novo autor tem um tamanho administrável.
*
Gente, o que é Juan Rulfo? Poeta, escritor e fotógrafo, só publicou duas novelas na vida toda. Coisa de gênio: Pedro Páramo e Planalto em Chamas. Eu tenho os dois, no mesmo volume, fino e de autor morto.
Único alívio quando alguém morre: pronto, agora eu posso conhecê-lo por completo.
*
Litza diz que eu idealizo o casamento. Aí publicam hoje que as comédias românticas prejudicam as relações. Quer dizer, a gente trabalha que nem cachorro, a gente é roubada e não tem namorado, a calda do sorvete acaba, não pode idealizar o amor romântico, o dinheiro, o mundo ocidental, o zen-budismo, a vida do vizinho, a vida adulta, a liberdade, o passado, a vida da Deborah Secco e o conceito de originalidade. Tudo isso e ainda tem que guardar espaço pra relativizar Kate Winslet e Jack Black no cinema. Eu quero de volta o mundo com enganos.
*
Meu Moby Dick tá lindo na estante. Lindo. Vi nem uma página, que eu uso clássicos mesmo é pra decoração.
*
Me dá um alívio quando eu ligo para alguém e a pessoa não atende. É como se o mundo me liberasse da aula mais cedo.
Parei com vocês.
eureka!

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Domingo, 9 de Novembro de 2008
efetivamente nan

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
***
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Zora, fragmentos e escoriações
Zora, minha nova personalidade - barata, leve e auto-limpante - é casca grossa. Zora é dura, cruel e matadora e não me deixa me fazer de vítima. Passou o blog em revista e disse que é contra-indicado. Ela não explicou muito bem PARA QUEM ou por quê, mas Zora é assim mesmo: pouco didática, direta e fragmentária. Como ela está na sala, vim aqui postar.
Fico até imaginando o que Zora faria se me visse aqui escr
da série coleção de pessoas: o aluno participativo*

As intervenções de um aluno participativo se dividem em duas categorias: as perguntas que já foram respondidas e aquelas cuja resposta ele já sabe.
O aluno participativo quer agregar. O aluno participativo faz perguntas sem resposta dizendo que é “pra gente pensar junto”. O aluno participativo freqüentou escolas experimentais e é fã do Moska. Curte quadrinhos e acha um charme não entender absolutamente nada de política. O aluno participativo fez teatro e tem o que dizer.
O aluno participativo não desiste. E, sobretudo, quer ser seu amigo.
*O aluno participativo vem nas variantes semi-famoso, escritor frustrado e couro selvagem.
as coisas que eu não sei
Nunca sei ao certo quando ser séria ou engraçada. Estou diante da vida como daquele recém-conhecido que não sabemos do que se agrada.
Queria ser original a ponto de criar uma obra impassível de identificação. Outra espécie, outra voz, a arte que enfim faria jus ao meu ser alienígena.
Creio piamente que os amores triviais e o Budismo são apenas um deboche secular à minha ansiedade.
Venho no ônibus pensando nas coisas que eu não sei. Eu tenho pensado tanta coisa em ônibus que minhas grandes decisões estão sempre em movimento. Sexta-feira na ponte e lá se vai mais um engarrafamento existencial.
(Praticar metáforas ruins não ajuda).
A piada que faltou, os motivos que ganhei agora pra ser o que sempre fui, esse dar-se conta dos próprios movimentos sem conseguir parar braços e pernas. Balanço suave de Uno 92 em estrada no interior do Piauí.
Frustração é a ressaca de todas as bebidas que eu conheço.
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
OFF
Eu ligava pra ver meu saldo e aquela filha da puta falava "Seu. Saldo. É. Um. Re-al".
B: Eu gosto do Bankline porque já vem com pausa dramática.
A: Eu tinha vontade de me rasgar.
B: Menina, sempre que eu ligo pro bankline e peço saldo é que nem quando alguém me diz que eu tô bem. Sabe, eu sinto uma ironia.
Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
cada um com a frase de efeito que merece
"Não há idéia nem fato que não possam ser vulgarizados e apresentados a uma luz ridícula."
(Dostoiewski)
É tão reconfortante achar por acaso a citação que te define para o mundo. E o mais incrível é que quando você enfim descobre, depois de longa e tenebrosa busca por clássicos, contemporâneos e apócrifos, qual é a primeira coisa que te ocorre?
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About me do orkut, claro.
O mundo é ridículo e eu pertenço a ele. Nada é por acaso nessa vida.
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Ah, comprei uma personalidade nova.
Barata, leve, ocupa pouco espaço e é auto-limpante. Daquelas novidades que duram pouco, rasgam logo, perdem a cor e acabam te decepcionando depois de um mês de uso mais ou menos freqüente. Mas quem disse que eu busco durabilidade? Eu quero é barulho e platéia abobalhada. Tudo pelo princípio da identificação.
