quarta-feira, 24 de março de 2010

Grandes volumes

Pensar na distância entre o que as pessoas são e o que parecem já é, por princípio, uma fraude: o que pareço é parte fundamental do que sou. Não existe fronteira entre corpo e consciência (por mais que infelizmente não se possa agarrar uma ideia como a um dedão de pé). Ainda assim, vez ou outra, acho que o corpo é onde está meu desamparo. É ele que grita repetidamente, contra minha vontade: "não me abandone". E lá vou eu desengonçada, uma parte pra cada lado.

Um dia acabo com isso. Um dia tudo o que penso vai vencer sobre este corpo e, então, como que por mágica, você vai me ver como eu sou de verdade: morena linda, olhos verdes enigmáticos, peitos apontando o céu e 32 dentes podres.

1 comentários:

Inexplicable disse...

é, menina, é fraude mesmo.
é bom não se enganar.
=)